"Ele nada sabe e acha que sabe tudo: excelente predisposição para ser político"
Autor: George Bernard Shaw (1865-1950) - dramaturgo inglês
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Categoria: Citação
Escrito por Marcelo Passos às 01h03
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À Procura do Natal
Caminho em busca do presépio
a noite inteira, meu Senhor.
Não haverá, porém, nenhuma estrela,
para guiar meus passos.
Todas as estrelas estarão imóveis
No céu imóvel.
Não haverá nenhuma estrela
para mostrar o lugar em que te encontras.
Caminharei em busca do presépio,
a noite inteira, meu Senhor.
As estradas, porém, estarão solitárias,
tudo estará adormecido,
as luzes das casas, apagadas,
as vozes dos peregrinos terão morrido
na distância sem fim.
Caminharei ansioso à tua procura,
mas estarei tão atrasado,
o tempo terá caminhado tão na minha frente,
que me será difícil encontrar teu recanto humilde...
Cansado, encontrarei grandes cidades,
mas a tua cidade, Senhor, terá desaparecido.
Poema de Augusto Frederico Schimidt
Escrito por Marcelo Passos às 00h47
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The Brazilian savings rate
According the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the savings rate of Brazil, in the third quarter of this year, amounted to 24,5% of the Gross Domestic Product (GDP).
It is the second best quarterly performance since 1995.
The best result was in last year`s third quarter. In this period, the saving rate was 25,4% of brazilian GDP.
Escrito por Marcelo Passos às 23h41
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Juro cresce, dívida floresce, crescimento desaparece
A dívida pública mobiliária federal aumentou R$ 150 bilhões entre janeiro e novembro de 2005. Atingiu astronômicos R$ 959,5 bilhões no final do período. Isto representa quase o dobro do aumento da dívida no ano de 2004. Neste ano, a dívida cresceu R$ 79 bilhões.
Veja só, caro leitor, éramos felizes e não sabíamos...
Obviamente a política de juros altos responde pela maior parte desse crescimento indesejado da dívida que compromete o crescimento desejado da economia.
Como a taxa Selic corrige 53% dos títulos da dívida pública, quando a Selic sobe, a dívida vai ao reboque e o crescimento desce ladeira abaixo.
O que diria o BC de mais este indicador claro de inconsistência temporal de política monetária? Culpará mais uma vez a crise política?
O BC ter apresentou um rigor extemporâneo, um conservadorismo fora de hora. Ou, em bom economês, praticou uma política monetária inconsistente com o tempo em que foi adotada.
Algo parecido ao envio de um juiz muito rigoroso para apitar uma partida de futebol entre casados e solteiros, ou um pregador religioso para converter os foliões de um baile carnavalesco.
Como o BC quis ser mais realista que o rei o resultado está aí: deterioração das expectativas, queda do PIB trimestral, aumento da dívida, valorização cambial e “um ponto fora da curva” do crescimento econômico.
Escrito por Marcelo Passos às 05h45
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Por que a Sonae deixou o Brasil
O grupo Sonae, dono de 140 lojas no Brasil, vendeu a sua subsidiária brasileira ao Wal-Mart, a maior empresa do ramo varejista do planeta.
As negociações foram feitas durante vários meses e o valor da compra foi de 635 milhões de euros, o que equivale a R$ 1,73 bilhão.
A Wal-Mart queria há muito tempo expandir sua participação no Brasil. As operações da empresa não refletiam o tamanho de nosso mercado consumidor. Ela também deseja competir com o Pão-de-Açúcar e com o Carrefour pela liderança do setor supermercadista.
De acordo com o sítio da revista Exame, quando se soma o faturamento de 2004 do Wal-Mart e da Sonae, chega-se a R$ 10,4 bilhões. O Grupo Pão de Açúcar teve um faturamento de R$ 15,4 bilhões, neste mesmo ano, e o Carrefour faturou 12,1 bilhões de reais.
Vale assinalar as razões pelas quais a Sonae vendeu suas operações no Brasil. Elas foram relatadas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de Portugal. No relatório, a empresa afirma que "a decisão da Modelo Continente [controladora dos supermercados Sonae em todo o mundo] de concretizar o desinvestimento no mercado brasileiro foi influenciada pela dificuldade da operação em apresentar níveis de rentabilidade superiores ao elevado custo do capital empregado."
A empresa também aponta que os juros reais elevados praticados no Brasil elevaram muito o custo de capital. Diz que isto inviabilizou o negócio.
Os juros, sempre os juros.
A íntegra do comunicado (em inglês) está disponível em:
http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/FR7811.pdf
Escrito por Marcelo Passos às 20h30
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Os "juros-mico"
O Copom reduziu em meio ponto percentual a taxa básica (Selic) de juros. Ela caiu de 18,5% para 18%.
Exatamente o que esperava o boletim Focus.
A partir de agosto último, o mercado financeiro já vinha apostando em uma Selic de 18%, com um IPCA de aproximadamente 5,6%.
São os “juros-mico”. Os micos costumam subir rápido nas árvores, mas descem devagar.
Sobre o assunto, Joelmir Beting disse:
”Vamos fechar o ano com taxa real de 12,4%, contra 1,9% na média global. Ou o dobro da segunda colocada, a da Turquia, em torno de 6% ao ano. Bastaria esse comparativo para capitular o arrocho monetário no Brasil, na categoria da overdose, vulgo mal desnecessário.
Desnecessário para controlar a inflação, desnecessário para rolar a dívida pública, objetivo maior, não confessado, do arrocho monetário.
Se até a Argentina no calote paga ao investidor juros reais de 4%, por que o Brasil teima em pagar 12% ou 14% ou 16%?
Nos EUA e na Europa, o investidor contenta-se com 3%. Se a gente passasse a pagar 9% ou 7%, em lugar de 16%, será que eles sairiam correndo daqui pra ganhar lá fora apenas 3%? O mercado é um jogo. E o BC do Brasil não sabe ou não quer jogar esse jogo.
Nos juros, quando é que o Brasil vai voltar ao Planeta Terra? “
Escrito por Marcelo Passos às 11h28
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O BC e o mercado cambial
Ultimamente há rumores no mercado financeiro de que o BC seria capaz de impor regras mais restritivas em relação à gestão de liquidez e de risco das tesourarias das instituições financeiras. Comenta-se sobre uma possível limitação da porcentagem do patrimônio líquido que poderia ser comprometida com o mercado futuro de dólar.
Atualmente as instituições financeiras não estão submetidas a nenhum limite máximo para alavancagem no mercado futuro de dólar, por exemplo. Havendo uma crise externa, elas ficariam expostas a um nível de risco muito crítico, o que poderia causar impactos na taxa de câmbio.
O BC também vem reduzindo fortemente o seu volume de swaps. Sobretudo os chamados swaps cambiais reversos. São contratos vinculados à variação do dólar que o BC tem negociado muito nas últimas semanas para evitar uma queda maior da taxa de câmbio.
A notícia não é boa. Trata-se de uma limitação do poder do BC em intervir no mercado cambial. Isto ocorre justamente em um momento de forte ingresso de capitais externos no país, o que tende a apreciar o câmbio real ainda mais.
Escrito por Marcelo Passos às 10h36
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Concurso para professor de Economia
Do sítio da UFRJ:
Concurso para professor adjunto
Estão abertas as inscrições do concurso para professor adjunto (40 horas) na área de Macroeconomia. O prazo para as inscrições vai de 01/12/05 até 14/01/2006. Clique para ler o edital do concurso >> http://www.ie.ufrj.br/download/editaladjunto0606.pdf
Escrito por Marcelo Passos às 02h36
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Por que pagamos o FMI?
O pagamento antecipado do débito pendente com o FMI, de US$ 15,5 bilhões, implica obviamente em uma pá de cal sobre a linha de crédito de emergência que o governo possuía com o Fundo.
Quatro razões para o pagamento: i) sinalizar ao mercado internacional que nossa fragilidade externa está sendo equacionada; ii) permitir ao governo um discurso do tipo “superamos a herança maldita da dívida com o FMI”. Tal discurso poderá render bons dividendos eleitorais para a possível reeleição de Lula, no ano que vem; iii) reduzir o encargo desta linha de crédito, pois, com esta antecipação, o governo deixará de pagar US$ 900 milhões ao FMI; e iv) habilitar o país a uma nova linha de crédito de emergência, no caso de uma crise externa (xô, urucubaca!) nos próximos anos
A medida do governo, embora surpreendente, não é nova. No último mês de julho, Palocci e equipe anteciparam o pagamento de US$ 5,1 bilhões ao Fundo. Esta parcela da dívida venceria em março do ano que vem.
O mercado financeiro internacional, obviamente, adorou e deverá aplaudir novamente a ação do governo brasileiro.
Quanto às reservas cambiais, hoje, antes do pagamento da dívida, nossas reservas se encontram em US$ 67 bilhões. Após o pagamento, que ocorrerá nos próximos dias, as reservas cairão para US$ 52 bilhões.
Como os juros reais devem permanecer altos por algum tempo, o que atrai os capitais externos de curto prazo e sustenta a apreciação da taxa real de câmbio, o BC deve continuar atuando fortemente no mercado cambial. Além disso, pagar débitos ao FMI gera o efeito de queda rápida do risco-país o que reforça o efeito de apreciação cambial. Assim, nossas reservas devem recompostas em apenas alguns meses
Escrito por Marcelo Passos às 01h46
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Poema de Natal
Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio. Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações Se deixem, graves e simples. Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente.
Vinícius de Moraes (1913-1980)
extraído do site Releituras
Escrito por Marcelo Passos às 01h44
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De Lincoln para nossos presidenciáveis
Mensagem ao homem que pretende dirigir um povo:
1. Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança.
2. Não fortalecerás os fracos enfraquecendo os fortes.
3. Não ajudarás o assalariado se arruinares aquele que o paga.
4. Não estimularás a fraternidade humana ao alimentares o ódio de classes.
5. Não ajudarás os pobres ao eliminares os ricos.
6. Não evitarás as dificuldades se gastares mais do que ganha.
7. Não fortalecerás a dignidade e o ânimo se subtraíres ao homem a iniciativa
e a liberdade.
8. Não poderás ajudar os homens de maneira permanente se fizeres por eles
aquilo que podem e devem fazer por si próprios.
Abraham Lincoln, presidente dos EUA (1809-1865)
Escrito por Marcelo Passos às 01h33
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De Janaina Lage do jornal Folha de São Paulo:
Produção industrial cai em 8 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE
"A produção industrial registrou queda em oito dos 14 locais pesquisados em outubro, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado compara o desempenho de outubro com o de igual mês do ano passado. Este é o segundo mês seguido que a pesquisa registra queda em oito regiões.
As quedas na produção ocorreram nos seguintes locais: Bahia (-0,3%), Pernambuco (-1,3%), Goiás (-3,5%), região Nordeste (-4,0%), Santa Catarina (-5,0%), Paraná (-6,2%), Rio Grande do Sul (-6,6%) e Ceará (-12,1%).
Em termos percentuais, a expansão da produção foi liderada pelo Amazonas (12,1%), seguido por Pará (6,4%), Minas Gerais (5,2%), Espírito Santo (3,6%), Rio de Janeiro (2,6%) e São Paulo (0,9%). As regiões que registraram taxas positivas cresceram acima da média nacional, de 0,4%.
No ano, a maioria das regiões ainda registra crescimento, com exceção do Rio Grande do Sul (-3,8%) e do Ceará (-0,6%). O Amazonas é o único a apresentar uma taxa de expansão de dois dígitos, de 15,6%, em razão do avanço na produção de material eletrônico e de comunicações (telefones celulares e eletroeletrônicos). São Paulo acumula expansão de 4,1%.
A desaceleração da indústria pode ser verificada também em indicadores de longo prazo. A taxa acumulada em 12 meses apresenta resultados positivos em quase todas as regiões pesquisadas, exceto o Rio Grande do Sul (-2,8%), mas há uma perda de fôlego na passagem de setembro para outubro. A indústria de São Paulo, a de maior peso no país, passou de 5,6% em setembro para 5,2%."
Escrito por Marcelo Passos às 01h43
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Pesquisa Focus
No sítio do Bacen já está disponível o resultado da última Pesquisa Focus.
A pesquisa informa que o mercado financeiro está pessimista.
As previsões sobre a taxa de crescimento da economia em 2005 vêm caindo há seis semanas consecutivas. O mercado previa crescimento de 2,66% do PIB. Agora, reviu sua previsão para 2,52%.
A pesquisa prevê um IPCA de 5,68%. A meta do governo é de 5,1%.
A expectativa é de uma redução de meio ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Ela começa hoje e termina no final da tarde de quarta-feira.
Na maioria dos meses passados, ganhou quem apostou que o Copom iria confirmar as expectativas da Pesquisa Focus.
Escrito por Marcelo Passos às 04h05
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Jimmy & Pai do Jimmy: Limonada
"Olha pai, eu sei que a economia não vai muito bem, mas eu preciso reduzir o meu quadro funcional..."
Escrito por Marcelo Passos às 03h46
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Adam Smith e a Educação da Finlândia
Para Adam Smith, filósofo e economista, que escreveu em uma época em que o ensino britânico era predominantemente religioso, as pessoas procurariam naturalmente as escolas mantidas por instituições religiosas “verdadeiras”.
A condição sine qua non para que isto ocorresse seria um grau de competição adequado entre estas religiões. Havendo uma certa atomização entre o número de instituições religiosas - o que ocorria, naquela época, no estado da Pensilvânia (EUA) – ocorreria uma melhora natural do ensino religioso.
A criação de incentivos adequados aos professores, a promoção de competição pelo aumento do número de instituições educacionais e a disseminação da cultura e da alfabetização foram os principais objetos da análise smithiana. Vê-se que os dois primeiros são tipicamente econômicos, conquanto o último seja de cunho pedagógico ou relacionado à filosofia da educação. Três perguntas formuladas por Smith seguem uma lógica tão clara quanto atual:
i) Uma sociedade deve dar atenção à educação do seu povo?
ii) Se sim, que conteúdos educacionais deverão ser fornecidos aos diversos segmentos da população?
iii) De que forma se deve fornecer este conteúdo?
Perguntas que ainda hoje não foram respondidas de forma plenamente eficaz. Para encontrar as respostas deveríamos investigar as políticas educacionais dos países mais bem colocados no teste do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).
O Pisa é uma avaliação coordenada, em âmbito internacional, pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) é a instituição responsável pela implementação do Pisa.
Entre os países melhor avaliados pelo Pisa estão a Finlândia, a Nova Zelândia , a Austrália, o Reino Unido, a Noruega e a Bélgica.
A Finlândia, ao que parece, conseguiu responder satisfatoriamente às questões formuladas por Adam Smith.
Para uma análise interessante sobre o sistema educacional finlandês veja o artigo de Carmen Morán em http://www.inforpress.com.br/finlandia/info.htm. Muitas das soluções encontradas pela Finlândia estão associadas muito mais ao envolvimento da comunidade com as escolas e à valorização e qualificação do professor do que ao montante de recursos públicos destinados à Educação.
Escrito por Marcelo Passos às 03h21
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Delfim, Palocci e o Déficit Nominal Zero
A proposta do deputado Antônio Delfim Netto de ajuste fiscal com meta de médio prazo de zerar o déficit nominal zero foi recebida, inicialmente, com grande debate pelos meios acadêmicos e empresariais.
O ministro Palocci e o governo receberam com certa frieza a proposta de Delfim. No entanto, a análise de Delfim é a mesma do governo, embora não haja, da parte do governo o compromisso expresso de zerar o déficit nominal. Afinal, o custo político de um compromisso como este seria alto para o governo.
A proposta parte da análise de que a razão entre a dívida líquida do setor público consolidado e o PIB encontra-se no patamar de 50%. O nível, em uma comparação internacional, não seria muito elevado. Porém, nossa dívida se concentra em títulos de curto prazo, dado o nosso histórico de renegociações unilaterais da mesma. Isso se reflete em nosso nível de risco soberano.
Nesse sentido, a redução paulatina da razão entre dívida e PIB, levando em consideração o crescimento econômico nominal e congelando os gastos correntes do governo, induziria a um nexo causal positivo. O risco poderia ser reduzido, aumentando o espaço para a descompressão acelerada do choque de juros. Com a queda dos juros a taxa de câmbio real poderia subir, afastando o risco de desequilíbrio externo de médio prazo. Com a perseguição da meta de déficit nominal zero, finalmente, teríamos a possibilidade de alongar o perfil da dívida pública, pois tal medida sinalizaria aos credores do governo um compromisso forte com o equilíbrio fiscal sustentável.
A proposta consiste em aprofundar o ajuste fiscal que foi empreendido no final do governo passado e ampliou-se neste governo. Permite que o governo aumente os graus de liberdade que possui na gestão das receitas e dos gastos públicos, pois torna claro qual a meta fiscal a ser perseguida, pois os superávits fiscais primários que a política econômica vêm obtendo não consideram as despesas financeiros líquidas do setor público.
Os riscos da proposta, contudo, consistem na forma pela qual essa meta seria alcançada. A dívida pública está sujeita a uma taxa nominal de juros que pode ser afetada por fatores exógenos. Uma crise externa ou retração da oferta agregada, por exemplo, poderiam elevá-la a um grau que tornasse o governo incapaz de manter o compromisso de déficit nominal zero. As despesas com juros subiriam e a necessidade de aumento de cortes de gastos poderia ser incompatível com a carência de gastos sociais de nossa população.
Há sempre a incerteza associada à redução de um gasto importante. Ou à redução excessiva de um gasto menos importante. No papel, a proposta possui racionalidade. Tornada política econômica, tal proposta pode vir a ser desastrosa, na medida em que não garante (nem poderia garantir) o bom-senso de quem executa o corte dos gastos.
Escrito por Marcelo Passos às 01h38
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