Criminalidade
Para o leitor interessado em temas microeconômicos vale a pena a leitura do texto “O Jogo dos Sete Mitos e a Miséria da Segurança Pública no Brasil”. Os autores são Daniel Cerqueira, Waldir Lobão e Alexandre de Carvalho, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA).
O textos chega a conclusões óbvias, porém nem de longe triviais, mas dignas da obviedade do bom-senso, ou o óbvio ululante de Nelson Rodrigues (aquele que todo mundo vê, mas ninguém enxerga):
1) Os grandes fatores explicativos da no Brasil são a exclusão e a desigualdade socioeconômica. Eles explicam fortemente o crescimento dos homicídios nos últimos vinte anos;
2) não adianta muito destinar mais recursos ao policiamento, pois os resultados de tal medida não são palpáveis. Policiamento é importante, mas os dados analisados pelos autores refletem mais os efeitos de uma polícia despreparada e obsoleta do que os benefícios do maior gasto com policiamento.
3) resumo da ópera: há necessidade de uma ampla (e rápida, acrescento eu) discussão sobre qual o modelo de policiamento mais eficaz. Analisa-se e discute-se primeiro. Depois, aumenta-se o gasto.
Os autores do artigo defendem que a falta de recursos e a inexistência de tecnologias e métodos eficazes de prevenção e controle do crime não são argumentos consistentes para explicar a altíssima criminalidade brasileira.
Escrito por Marcelo Passos às 06h16
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FMI e BNDES
O presidente do FMI, Rodrigo de Rato sugeriu uma revisão da política de crédito vinculado praticada no Brasil. As linhas destinadas à habitação, agricultura, exportação e outras linhas em geral mantidas pelo BNDES deveriam ser revistas na visão de Rodrigo de Rato.
A resposta de Antônio Barros de Castro, diretor de planejamento e presidente interino do BNDES foi dada em entrevista à Vera Saavedra Durão, do jornal Valor Econômico:
"No fundo mesmo, o que parece preocupar essas pessoas, principalmente no que se refere ao componente BNDES, é que continuam supondo que o crédito mais barato tem um efeito 'perverso' do ponto de vista de alocação de recursos. É como se a alocação de recursos, não sendo feita livremente pelo mercado, saísse errada. Isto é que está no fundo dessa posição", disse Castro.
Castro, especialista em microeconomia, também afirmou que a as empresas brasileiras se tornaram mais competitivas nos últimos anos. O desempenho comercial e a produtividade sistêmica comprovam esta análise, segundo o presidente do BNDES.
"Apesar de uma demanda global quase sempre medíocre, as empresas foram investindo e aprimorando sua capacidade de disputar mercados. O que faltou foi demanda. Não houve problemas na alocação de recursos, para a qual o banco colaborou de forma inteligente, facilitando o investimento, barateando-o, através de suas várias linhas de crédito desde que foi criado", afirmou Castro.
Escrito por Marcelo Passos às 23h13
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