Hora de a onça beber água

Um documento do Tesouro Nacional foi divulgado ontem com dados reveladores sobre a orientação da política econômica atual do governo. O documento tem curioso título: “O Brasil Virando Onça”.

 

A metáfora, de gosto discutível, inspirou-se nos tigres asiáticos. A onça pintada é o maior felino brasileiro.

 

O Tesouro anunciou que a dívida líquida do setor público, no final de 2005, foi de 51,01% do PIB. Apresentou uma pequena queda em relação à 2004, quando a dívida ficou em  51,7% do PIB.

 

Interessante.  Um recuo mínimo de 0,69  ponto percentual na dívida pública e, voila, já estamos virando onça.

 

Sei não, mas se for verdade, já está na hora de a onça beber água.

 

Cerca de 141 bilhões de reais, sobretudo provenientes da receita tributária, tiveram destino certo: pagamento de dívida. Com efeito, trata-se de ótima notícia para todos aqueles que engordam seu patrimônio com títulos públicos (ótimo negócio, aliás). A fatia destes credores no bolo do PIB diminuiu, vejam vocês, 0,69 pontos percentuais.

 

Este foi o apetite voraz da onça brasileira: abocanhou 0,69 ponto percentual do bolo da dívida. Deve estar enfastiada e com muita sede.

 

Então, está na hora de a onça beber água...



Escrito por Marcelo Passos às 21h11
[] [envie esta mensagem]



Palavra do Papa: Parte III

Continua Ratzinger:

"A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre requer renúncias também, não poderá afirmar-se nem prosperar. A sociedade justa não pode ser obra da Igreja; deve ser realizada pela política. Mas toca à Igreja, e profundamente, o empenhar-se pela justiça trabalhando para a abertura da inteligência e da vontade às exigências do bem."



Escrito por Marcelo Passos às 14h09
[] [envie esta mensagem]



Palavra do Papa: Parte II

Sobre Justiça, Religião e Política, afirma Ratzinger:

"A justiça é o objectivo e, consequentemente, também a medida intrínseca de toda a política. A política é mais do que uma simples técnica para a definição dos ordenamentos públicos: a sua origem e o seu objectivo estão precisamente na justiça, e esta é de natureza ética. Assim, o Estado defronta-se inevitavelmente com a questão: como realizar a justiça aqui e agora? Mas esta pergunta pressupõe outra mais radical: o que é a justiça? Isto é um problema que diz respeito à razão prática; mas, para poder operar rectamente, a razão deve ser continuamente purificada porque a sua cegueira ética, derivada da prevalência do interesse e do poder que a deslumbram, é um perigo nunca totalmente eliminado."

Neste ponto, política e fé tocam-se. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo — um encontro que nos abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. Ao mesmo tempo, porém, ela serve de força purificadora para a própria razão. Partindo da perspectiva de Deus, liberta-a de suas cegueiras e, consequentemente, ajuda-a a ser mais ela mesma. A fé consente à razão de realizar melhor a sua missão e ver mais claramente o que lhe é próprio. É aqui que se coloca a doutrina social católica: esta não pretende conferir à Igreja poder sobre o Estado; nem quer impor, àqueles que não compartilham a fé, perspectivas e formas de comportamento que pertencem a esta. Deseja simplesmente contribuir para a purificação da razão e prestar a própria ajuda para fazer com que aquilo que é justo possa, aqui e agora, ser reconhecido e, depois, também realizado.



Escrito por Marcelo Passos às 14h07
[] [envie esta mensagem]



Palavra do Papa

Da Encíclica "Deus Caritas Est" (Deus é Amor), de Josef Ratzinger, papa Bento XVI (versão traduzida utilizando a ortografia da Língua Portuguesa utilizada em Portugal) :

"A justa ordem da sociedade e do Estado é dever central da política. Um Estado, que não se regesse segundo a justiça, reduzir-se-ia a uma grande banda de ladrões, como disse Agostinho uma vez: « Remota itaque iustitia quid sunt regna nisi magna latrocinia? ». Pertence à estrutura fundamental do cristianismo a distinção entre o que é de César e o que é de Deus (cf. Mt 22, 21), isto é, a distinção entre Estado e Igreja ou, como diz o Concílio Vaticano II, a autonomia das realidades temporais. O Estado não pode impor a religião, mas deve garantir a liberdade da mesma e a paz entre os aderentes das diversas religiões; por sua vez, a Igreja como expressão social da fé cristã tem a sua independência e vive, assente na fé, a sua forma comunitária, que o Estado deve respeitar. As duas esferas são distintas, mas sempre em recíproca relação."



Escrito por Marcelo Passos às 14h06
[] [envie esta mensagem]



"Se a única coisa que você tem é um pouco de manteiga, tudo o que lhe surgir pela frente parecerá com pão. "

Buscar na Web ""



Categoria: Citação
Escrito por Marcelo Passos às 12h31
[] [envie esta mensagem]



A (Infra) Estrutura Mesoeconômica

Aliado a isto, na esfera das políticas mesoeconômicas, não houve, desde o início do governo, um posicionamento efetivo a respeito de qual o marco regulatório a ser adotado para atrair investimentos que minimizem o  “gargalo” da infra-estrutura.

 

O “gargalo”, mais de gestão do que propriamente da infra-estrutura física, é responsável por protelar, por exemplo, a obra da ponte que ruiu na rodovia Régis Bittencourt, que liga o estado do Paraná ao de São Paulo. Faz um ano que a ponte caiu. Prometeram nova ponte em três meses. Até agora, nada.

 

As notícias abaixo, e a análise acima  apontam para uma questão complexa de fundo: qual o modelo de desenvolvimento que iremos adotar no Brasil para os próximos anos? As exportações continuarão a comandar nosso crescimento? Seguiremos o caminho adotado por vários países em desenvolvimento como a Rússia, a China, a Coréia do Sul, o Chile, a Índia e, mais recentemente, a Argentina?

 

Se sim, como e quando resolveremos o nó dos juros e da infra-estrutura?

 

Se não, qual o modelo de crescimento alternativo?

 

Ademais, até quando ficaremos sem uma discussão séria e objetiva destas questões no país?



Escrito por Marcelo Passos às 22h46
[] [envie esta mensagem]



Recordar é viver...

“A âncora cambial no Brasil, hoje, é ajudada pela politica monetária. Mas é difícil saber quanto tempo isso pode durar”.

 

Essa foi a resposta dada por Thomas Sargent  à Maria Helena Passos, que à época trabalhava na revista da Bovespa e hoje escreve para a Conjuntura Econômica.  

 

A pergunta feita por ela foi: "Há alguma maneira de se definir limites de tempo para o uso da âncora cambial apenas com a ajuda da política monetária?"

 

Sargent ainda complementou: "Compute a razão déficit público em relação ao PIB quando o plano (o Plano Real) começou e observe sua evolução. E então será possível imaginar quantos anos levará para que essa relação não possa mais crescer. Esse é o cálculo e estou certo de que o pessoal do governo sabe disso”.



Escrito por Marcelo Passos às 23h37
[] [envie esta mensagem]



"Para se ter uma economia eficiente é preciso desenvolver a tradição de um sistema com o Estado de Direito fortalecido, com os direitos de propriedade bem definidos. São coisas profundas e essenciais."

Autor: Douglass North

Buscar na Web "Douglass North"

Quando: Outubro de 1997

North foi crítico em relação às recomendações superficiais do FMI para países emergentes: liberalização do câmbio, dos preços e controle da dívida. Disse que isto não era suficiente e apontou o caminho.



Categoria: Citação
Escrito por Marcelo Passos às 23h13
[] [envie esta mensagem]



Retrato do Ensino Superior: Parte III

Pode-se dizer, pelo exame do gráfico acima, que quando se compara a qualidade do ensino de uma instituição particular com  outras instituições particulares de ensino superior não há grande assimetria. 

Contudo, há assimetria quando se insere a USP e a PUC-MG na comparação.   

O  binômio marketing eficaz e preço baixo explica o crescimento das instituições privadas segundo Gois e Constantino.

Conforme os autores, a Universidade Estácio de Sá, talvez por uma questão de escala de produção de serviços, conseguiu cobrar em 2001 apenas R$ 199 pela mensalidade do curso de Direito. Na PUC do Rio, no mesmo ano, a mensalidade deste curso era de  R$ 688.



Escrito por Marcelo Passos às 23h04
[] [envie esta mensagem]



Retrato do Ensino Superior no país: parte II

O hiato de qualidade entre as universidades privadas que constam do ranking e a USP, adotada como referência pelos autores, infelizmente, é elevado. O último Provão do MEC, realizado em 2003, mostrou que o desempenho das quatro maiores instituições privadas de ensino é muito inferior ao da USP (gráfico acima). 

Os conceitos das quatro maiores instituições particulares no Enade, o novo exame de avaliação do ensino superior, ficaram na faixa de 3,2 a 3,7. A escala vai de 1 a 5. A USP não participou do Enade.

Dizem Gois e Constantino: “o percentual de conceitos A ou B, os melhores, no exame entre todos os cursos avaliados de 1996 a 2003 foi de 74,8% na estadual paulista. Na Ulbra, esse percentual era de menos da metade: 35,2%. A Estácio teve 29,1% enquanto a Unip  apresentou 13,1% e a Universo 12,5%”.



Escrito por Marcelo Passos às 21h45
[] [envie esta mensagem]



Retrato do Ensino Superior no País: Parte I

A Folha de São Paulo, representada pelos jornalistas Antônio Gois, da sucursal do Rio, e Luciana Constantino, da sucursal de Brasília, divulgou a pesquisa solicitada pela Folha ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação (MEC). A base da pesquisa é o Censo da Educação Superior de 2004. 

O ranking das maiores universidades do país em 2004, pelo critério de número de alunos ficou assim:

  1. Universidade Estácio de Sá, sediada no Rio de Janeiro - 104.364 estudantes
  2. Universidade Paulista (Unip) - 93.210 estudantes
  3. Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), sediada no Rio Grande do Sul - 47.883 estudantes.
  4. Universidade Salgado de Oliveira (Universo), sediada no Rio de Janeiro – 47.557 estudantes.
  5. A Universidade de São Paulo (USP) - 46.114 estudantes.
  6. Centro Universitário Nove de Julho (Uninove), sediado em São Paulo-  39.931 estudantes
  7. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) – 36.903 estudantes.
  8. Universidade Presidente Antônio Carlos, sediada em Minas Gerais – 35.755 estudantes.
  9. Universidade Estadual de Goiás -   33.431 estudantes
  10. Universidade Estadual do Piauí – 33.268 estudantes

As duas primeiras universidades do ranking eram, em 2003, também as que mais cresciam. Agora, o crescimento é maior nas universidades com colocação intermediária.

 

Em relação ao ano de 2003, as universidades que mais aumentaram o número de alunos em 2004,  foram, em ordem decrescente, o Centro Universitário Nove de Julho, que apresentou crescimento expressivo de 35,9%; a Universidade Presidente Antônio Carlos (MG), com crescimento de 28,7% e a Universidade Luterana do Brasil (RS), que cresceu 15,5%.  

 

A rede de ensino superior mantida pelo setor público e as instituições tradicionais como a rede das Pontifícias Universidades Católicas  vem perdendo participação relativa no total de alunos matriculados.

 

Em 1991, a USP liderava o ranking com cerca de 32 mil alunos, seguida pela PUC do Rio Grande do Sul e pela UFRJ, com cerca de 20 mil. Atualmente, não figuram no ranking das 10 maiores.

 

Além da perda da quantidade de alunos matriculados, o número de instituições públicas presentes no ranking das dez maiores caiu de seis (três federais e três estaduais), no ano de 1991, para apenas duas estaduais, em 2004. Nenhuma universidade federal consta do ranking das dez maiores. 



Escrito por Marcelo Passos às 21h44
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, Portuguese, English, Male


Histórico
13/01/2008 a 19/01/2008
30/09/2007 a 06/10/2007
08/10/2006 a 14/10/2006
01/10/2006 a 07/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
17/09/2006 a 23/09/2006
10/09/2006 a 16/09/2006
03/09/2006 a 09/09/2006
27/08/2006 a 02/09/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
23/07/2006 a 29/07/2006
16/07/2006 a 22/07/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
02/07/2006 a 08/07/2006
25/06/2006 a 01/07/2006
18/06/2006 a 24/06/2006
11/06/2006 a 17/06/2006
04/06/2006 a 10/06/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
21/05/2006 a 27/05/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
30/04/2006 a 06/05/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
09/04/2006 a 15/04/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
26/03/2006 a 01/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
26/02/2006 a 04/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006
05/02/2006 a 11/02/2006
29/01/2006 a 04/02/2006
22/01/2006 a 28/01/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005
18/12/2005 a 24/12/2005
11/12/2005 a 17/12/2005
04/12/2005 a 10/12/2005
09/10/2005 a 15/10/2005
02/10/2005 a 08/10/2005


Categorias
Todas as mensagens
Link
Citação


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Grupo de Estudo de Macrodinâmica do Desenvolvimento
Prof. Dr. José Luis Oreiro
OREIRO, José Luis; CURADO, Marcelo Luiz; DEZORDI, Lucas; PASSOS, Marcelo. Uma análise da proposta de déficit nominal zero. Curitiba. CMDE/UFPR 2005.
Economia UFPR
Boletim Economia & Tecnologia da UFPR
Joelmir Beting On Line
OREIRO, Jose Luis; PASSOS, Marcelo. A governança da Política Brasileira: Análise e Proposta de Mudança. Curitiba,CMDE/UFPR/CNPq.
Economia em Debate
Economistas do futuro
Economia Exposta
Rabiscos Econômicos
De Gustibus non est Disputandum
Economia UTP
Economics Industry - Blogshares
Olhar Econômico
Blog do Alon
Pura Economia
Technorati
Bresser-Pereira
Economics Roundtable
Sobre Sites: Guia de Blogs
AC Investor Blog