16 de fevereiro de 2006
A data acima deve ser comemorada sempre. Finalmente demos um passo inicial para combater o nepotismo. E fizemos isto antes do Carnaval. Anos atrás esta notícia seria quase um milagre.
Parabéns ao STF.
Escrito por Marcelo Passos às 00h17
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Vícios privados, Benefícios Públicos e Moralismo
Reproduzo abaixo, caro leitor, em quatro partes, um texto escrito em 1714 por Bernard de Mandeville, um médico holandês que viveu na Grã-Bretanha.
É a “A Fábula das Abelhas”, com o subtítulo “Vícios Privados, Benefícios Públicos”.
Com sua fábula, Mandeville defendeu a idéia de que os vícios privados geram inúmeros benefícios sociais ou públicos.
Já na época era uma idéia extremamente controversa. Há sempre algum moralista de plantão que pense se tratar de uma defesa do vício. Nada mais falso.
Trata-se da constatação de que cada indivíduo possui vícios e que, no conjunto da sociedade, eles podem se traduzir em benefícios. Afinal, com os vícios que desde sempre possuímos, ainda assim seguimos adiante. O Apocalipse ainda não chegou, embora há quem o deseje.
Obviamente, os vícios devem ser combatidos com base na Justiça e não no pseudo-moralismo. Contudo, se na esfera individual ele pode ser condenável, na social os vícios trazem benefícios.
Há um ótimo texto sobre o assunto, de Eduardo Gianetti da Fonseca também intitulado "Vícios Privados ou Benefícios Públicos: A Fábula das Abelhas".
Escrito por Marcelo Passos às 00h03
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A fábula das abelhas (parte I)
Uma grande colméia por muitas abelhas habitada,
Que viviam pelo luxo, despreocupadas,
Porém, tão famosa pelas suas leis e ação
Quanto por sua grande população,
Era o grande manancial
Do saber científico e industrial.
Não havia abelhas com governo melhor,
Nem mais felizes ou com estabilidade maior;
Não eram escravas da tirania,
Nem sofriam com a democracia,
Porém tinham reis, que errar não podiam,
Uma vez que seu poder as leis restringiam.
(...)
Embora o enxame a fértil colméia enchesse,
Essa multidão fazia com que ela crescesse;
Milhões procuravam dar satisfação
Tanto à sua ganância quanto à sua ostentação;
Outros tantos entravam na lida
Para ver sua obra destruída.
Abasteciam o mundo fartamente,
Mas eram empregados e não empregavam gente.
Alguns, com pouco esforço e capital grandioso,
Faziam negócios de lucro portentoso;
Outros, condenados a foices e espadas
E a todas as árduas empreitadas
Em que, pela vontade, infelizes suavam
Para poder comer, as forças esgotavam;
Outros, ainda, a mistérios estavam dedicados,
E a poucos aprendizes estes eram ensinados
Que não requeriam senão a falta de pudor,
E sem um centavo podiam se impor
Como parasitas, gigolôs, ladrões,
Punguistas, falsários, magos, charlatões,
E todos os que, por inimizade
Ao trabalho honesto, com sagacidade
Tiravam vantagem comensurável
Do labor do vizinho incauto e bonzinho.
Chamavam-nos canalhas, mas os diligentes,
Exceto o nome, não agiam diferente.
De todos os negócios a fraude era parte,
Nenhuma profissão era isenta dessa arte.
(...)
Escrito por Marcelo Passos às 23h23
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A fábula das abelhas (parte II)
Assim, o vício em cada parte vivia,
Mas em conjunto, um paraíso constituía;
Temidos na guerra, na paz incensados,
Pelos estrangeiros eram respeitados,
E com fortunas e vidas abundantes,
Entre as colméias era a preponderante.
Estas eram as bênçãos daquele Estado;
Seus crimes o tornavam abastado;
E a virtude, que com a politicagem
Aprendera bastante malandragem,
Tornara-se, pela feliz influência,
Amiga do vício; por conseqüência,
O pior elemento em toda a multidão
Produzia algo para o bem da nação.
(...)
Assim, o vício fomentava a construção
Que, unida ao tempo e à boa decisão,
Gozava da vida as comodidades,
Seus prazeres, confortos e facilidades,
A tal extremo que mesmo os miseráveis
Viviam melhor que os ricos do passado
E nada podia ser acrescentado.
Escrito por Marcelo Passos às 23h23
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A fábula das abelhas (parte III)
Como é vã, dos mortais, a felicidade!
Soubessem eles da precariedade
E de que cá embaixo a perfeição
Não pode dos deuses ser concessão,
Teriam os animais se contentado
Com ministros e governo instalados.
Porém eles, a cada turbulência,
Como seres perdidos sem sapiência,
Contra os políticos e militares guerreavam,
Enquanto "Abaixo os desonestos!" gritavam.
Os próprios defeitos podiam tolerar,
Mas dos demais - barbaridade - nem pensar!
(...)
A menor coisa que um erro mostrasse,
Ou que os negócios públicos impedisse,
E todos os canalhas gritavam aos céus:
"Se ao menos houvesse honestidade, oh Deus!"
Mercúrio sorria perante a desfaçatez,
Já outros chamavam de estupidez
Protestar sempre contra o mais amado.
Mas Júpiter, de indignação tomado
E enfim irritado, jurou de vez
Livrar a colméia da fraude. E assim fez.
No mesmo momento em que ela partia
De honestidade o coração se enchia;
Tal como para Adão, revelou-se aos obscuros
Os pecados que envergonhavam os “impuros”.
Que então, em silêncio, confessaram,
E diante da torpeza coraram,
Como criança de mau comportamento
Que pela cor denuncia o pensamento,
Imaginando, ao ser olhado,
Que os outros pudessem ver o seu passado.
(...)
Escrito por Marcelo Passos às 23h21
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A fábula das abelhas (parte IV)
Vede agora na colméia renomada
Honestidade e negócios de mão dada;
O espetáculo terminou rapidamente,
E a face se mostrou com tom bem diferente
Pois não apenas foram embora
Os que gastavam muito e a toda hora,
Mas também as multidões, que deles dependiam,
Forçadas, para poder viver, também partiam.
Era inútil buscar outra profissão,
Pois vaga não se achava em toda nação.
Enquanto o orgulho e o luxo minguavam,
Gradativamente os mares deixavam,
Não os mercadores, mas as companhias.
Fábricas fechavam todos os dias.
Artes e ofícios mortos de vez
Ruína da indústria, a escassez
Fez com que apreciem o que já têm
E nada mais ambicionem ou conquistem.
Assim, poucos na colméia ficaram,
Nem uma centésima parte conservaram
Para resistir aos ataques de inimigos vários,
A quem sempre enfrentavam, temerários,
Até encontrar algum refúgio forte,
Onde se defendiam até a morte.
Em suas forças não houve mercenários;
Valentemente, lutaram eles próprios.
Sua coragem e integridade total
Foram coroadas com a vitória final.
Triunfaram, mas não sem azares,
Pois as abelhas morreram aos milhares.
Calejadas de árdua lida e exercício,
Consideraram a comodidade um vício,
O que aperfeiçoou sua moderação
Tanto, que para evitar a dispersão
Instalaram-se em uma árvore, na cavidade,
Abençoadas com satisfação e honestidade.
Escrito por Marcelo Passos às 23h17
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Exportando muito
Em 2005, o Brasil obteve um saldo comercial de 44, 7 bilhões de dólares. As reservas internacionais também aumentaram e as contas do balanço de pagamentos melhoraram muito.
Trata-se de uma recuperação que teve sua gênese na desvalorização cambial de 1999. O país recebeu um volume expressivo de investimentos externos diretos no período de 1996 a 1998. Várias multinacionais que aqui se instalaram tinham por objetivo produzir para atender à demanda interna, que estava em expansão.
Com a crise de 1999, muitas destas empresas iniciaram de forma autônoma um processo de substituição de insumos importados, além de procurarem expandir os seus negócios no exterior. Naqueles anos, o governo promoveu um conjunto de medidas de desoneração tributária sobre as exportações e desburocratizou uma série de processos aduaneiros.
Tudo o mais se deve ao crescimento excepcional do PIB mundial e ao animal spirit (ao otimismo e perseverança espontâneos dos empresários do país). Mesmo com juros estratosféricos a produção nacional ampliou sua inserção no mercado externo.
Câmbio depreciado, desburocratização, tributos menos pesados, competência empresarial e demanda externa: eis os quatro pilares que promoveram a expansão das exportações brasileiras de 2000 a 2005. O novo milênio, nesse sentido, vem trazendo para o Brasil a expansão das exportações urbi et orbi.
Escrito por Marcelo Passos às 22h09
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Importando pouco
Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem?
Nem tanto. Como mostrou o professor Afonso Celso Pastore (no texto Oportunidade Perdida, citado pelo blog do Alon), o Brasil está perdendo uma oportunidade histórica de promover uma maior abertura de nossa economia.
Nossa corrente de comércio (soma das importações com as exportações) só está crescendo devido à expansão das exportações.
Estamos incorrendo em um mercantilismo burro que só faz valorizar a taxa de câmbio.
Culpamos o Banco Central porque ele não a controla. Como se ele fosse capaz de tal empreitada.
Não há proposta para uma desoneração tarifária - negociada de acordo com contrapartidas oferecidas por outros países – para estimular as compras de insumos importados importantes para nossa produção industrial e agrícola (tintas, produtos químicos, componentes eletrônicos, máquinas e equipamentos, trigo, fertilizantes, papéis especiais etc.).
Um conjunto de medidas destinadas a superar o neomercantilismo tupiniquim seria muito bem-vinda, além de fazer com que, naturalmente, a taxa de câmbio se depreciasse sem pressões inflacionárias.
Escrito por Marcelo Passos às 22h06
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Ambiente de crescimento

Acima, o ranking com o índice de ambiente de crescimento do banco Goldman Sachs.
O índice vai de 0 a 10. Quanto mais perto de 10, melhores as condições de crescimento do país no longo prazo.
O índice se baseou em indicadores como taxa de inflação, nível de corrupção, estabilidade política, número de computadores per capita, infra-estrutura telefônica, expectativa de vida, estabilidade política, déficit público, indicadores educacionais, dívida externa, taxa de investimento, abertura da economia. Levou também em consideração se o país é ou não um Estado de Direito.
O Brasil ficou um pouco à frente da Índia. O país cresce bem menos do que a Índia, contudo.
Empatou com a Argélia, Síria e Filipinas.
É isso aí. Um gráfico às vezes vale por mil palavras.
Escrito por Marcelo Passos às 20h24
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"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia."
Autor: Nelson Rodrigues
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Categoria: Citação
Escrito por Marcelo Passos às 00h56
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