“Para salvar o Brasil, ou melhor, para se salvar no Brasil, siga rigorosamente nossa determinação: compre sempre na baixa, venda sempre na alta. E não se abaixe para pegar o sabonete.”

 

Autor: Millôr Fernandes - escritor, artista plástico, dramaturgo, poeta e humorista.

 

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 Millôr Fernandes



Categoria: Citação
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h40
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Dia difícil

Os mercados financeiros, nesta terça-feira, apresentaram verdadeiro alvoroço. A taxa de câmbio subiu 4,22% e o Bovespa despencou.

 

Há uma grande expectativa com a reunião do Copom e a divulgação da ata do Fed, que ocorrem nesta quarta.

 

A queda do dólar, embora de maneira não virtuosa, é até desejável pelo setor produtivo do país. O problema é o efeito que ela causa no pessoal do Copom.

 

O BC voltou a leiloar swap cambial. Estes títulos servem como hedge para empresas que possuem passivos em dólar. São atrelados à variação cambial. Foram  instrumentos fundamentais para a amenizar os efeitos das crises cambiais de 1999 e de 2002. O peso do ajuste, nestes anos, foi todo para as costas do governo, que aumentou a exposição de sua dívida às variações cambiais.

 

Por outro lado, o ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que o BC e o Tesouro estão adotando a política certa para minorar os efeitos da saída de capitais. Disse mais: tem confiança na redução da taxa Selic pelo Copom.

 

É provável que Mantega tenha percebido que  há uma rara oportunidade em curso para o Copom obter uma combinação mais positiva entre dois preços básicos de qualquer economia: as taxas reais de câmbio e de juros.

 

Se o pessoal do Copom percebeu esta janela que se abriu, isto não dá para garantir. Mas o fato é que uma redução da  taxa Selic, de pelo menos um ponto percentual, poderá responder de forma positiva  à crise atual, que aparentemente é passageira, e ao nosso parco crescimento, que tem que ser sustentável e duradouro.

 

Uma decisão deste tipo levaria o câmbio a um nível mais palatável para os exportadores e levaria os juros ao menor patamar, em termos reais, desta década.  



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h08
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Cretinos fundamentais

Caro leitor, o Financial Times levantou uma questão incômoda para nosotros. Há empresas globais que investem na América Latina reavaliando seus planos, dada a incerteza em relação às interferências estatais na economia. Pegou muito mal as desapropriações de empresas estrangeiras, bem como o aumento das restrições comerciais populistas, nacionalistas, voluntaristas e... cretinas, enfim.

 

Nélson Rodrigues dizia que os muitos "cretinos fundamentais" (o termo é do próprio Nelson) com vergonha na cara constituem a platéia para outros cretinos fundamentais (estes sem vergonha na mesma, mas com dotes de oratória) exibirem o seu repertório de estultices.

 

Na América Latina temos Chávez e Morales como notórios cretinos fundamentais que, com o velho discurso demagógico e anti-capitalista, conquistaram votos na Venezuela e da Bolívia.   

 

Lula, Tabaré Vazquez (presidente do Uruguai), Michele Bachelet (presidente do Chile) são os contrapontos à cretinice "bolivariana". Possuem bom-senso, inteligência e vergonha na cara para saber que contratos devem ser respeitados.

 

 

Sem mais delongas, eis alguns trechos da matéria de Richard Lapper, do  Financial Times, intitulada "Temor quanto a interferências estatais faz investidores reavaliarem planos para a América Latina":

 

“Sérgio Gabrielli enxergou poucas nuvens no horizonte quando lhe pediram, em fevereiro, para avaliar as perspectivas da sua companhia na Bolívia.

 

O presidente da Petrobras, a gigante estatal brasileira do setor petrolífero, acreditava à época que a vitória acachapante de Evo Morales nas eleições presidenciais da Bolívia criaram uma "visão de estabilidade.

 

Em vez disso, em um período de meses, a Petrobras se viu expropriada. A empresa brasileira foi a mais recente -e mais surpreendente- baixa causada por uma série de ações de inspiração nacionalista contra os investidores estrangeiros.

 

Na Bolívia, a BG e a BP, do Reino Unido, a Total, da França, e a Repsol, da Espanha -que injetaram bilhões de dólares no país na década passada- tiveram um destino semelhante. Há pouco mais de uma semana, a Occidental Petroleum, com sede na Califórnia, entrou para a lista, ao ser desapropriada pelo governo do Equador, após um desentendimento quanto a um contrato."



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 13h31
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Dinheiro, para que dinheiro?

Afinal, para que dinheiro se a América Latina tem a Amazônia; lindas mulheres; Maradona e Ronaldinho Gaúcho; tango e samba; petróleo, cobre e gás natural. Para que respeitar contratos se temos Chávez, Kirchnner (este não é cretino fundamental, mas também pratica populismo econômico) e Morales?

 

Continuando a reportagem do Financial Times:

 

"Executivos da Suez, conglomerado empresarial francês, também amargaram maus momentos neste ano depois que o governo da Argentina se mobilizou no sentido de desapropriar a Águas de Argentina, a companhia de distribuição de água que é uma subsidiária da empresa francesa. (...)

 

A nova situação sensível na região fez com que os investidores reavaliassem os seus compromissos. "Onde quer que exista qualquer risco de que a situação se desenrole como na Bolívia, os investidores estão em compasso de espera", diz Stephen Donehoo, que assessora investidores da Kissinger McLarty, em Washington.

 

De várias formas, isto é surpreendente. As economias latino-americanas estão mais estáveis agora do que em qualquer período nos últimos 30 anos. Na maioria dos países, a inflação é de um único dígito, e a demanda por parte da China e das crescentes economias asiáticas fez com que matérias-primas como cobre e ferro, que a América Latina possui em abundância, se tornassem mais atraentes.

 

Em parte por causa disso, os níveis de investimento estrangeiro têm crescido nos últimos dois anos, em uma recuperação em relação a um período difícil, associado à crise financeira do início da década. (...)

  

Enquanto os investimentos diretos estrangeiros no México chegaram a US$ 17,8 bilhões em 2005, em um acréscimo de quase 50% em relação à média alcançada ao final da década de 1990, o fluxo de investimento para o Brasil no ano passada foi de apenas US$ 15,1 bilhões, menos da metade da média registrada dez anos atrás.

 

Os analistas atribuem este declínio no sul da região a diversos fatores. Nos setores de petróleo e recursos naturais, os governos passaram a impor contratos bem mais rígidos aos investidores estrangeiros. A Venezuela, o maior produtor de petróleo da região, impôs novas condições a mais de 20 companhias estrangeiras no ano passado, fazendo com que a Exxon Mobil reduzisse drasticamente a sua presença naquele país.

 

Em tese, as regras para investimentos na Argentina estão entre as mais liberais do mundo. Na prática, o governo de esquerda de Néstor Kirchner interveio de maneira discricionária em vários setores, recusando-se a permitir que empresas estrangeiras financeiras e de prestação de serviços públicos aumentassem as suas margens de lucro. Assim como a Suez, a Electricité de France decidiu deixar a Argentina. Mais de 20 outras empresas entraram com ações na justiça contra o governo por meio do Centro de Resolução de Conflitos sobre Investimentos do Banco Mundial.  (...)

 

O governo de centro-esquerda do Brasil tem recebido melhor os investimentos estrangeiros, mas mostrou-se incapaz de reduzir as restrições burocráticas e os onerosos custos trabalhistas e fiscais. A forte valorização do real em relação ao dólar - que foi apenas parcialmente revertida durante o recente período de volatilidade nos mercados internacionais - fez com que aumentassem as dificuldades devido à elevação dos custos operacionais. (...)

 

Em tal contexto, surpresas como as nacionalizações na Bolívia ou a ação do Equador contra a Occidental são particularmente daninhas. Autoridades dos Estados Unidos descreveram a decisão de cancelar o contrato da Occidental como "terrível", em parte porque a medida parecer ser bastante arbitrária.

 

A Petrobras acreditava possuir bons vínculos políticos com o governo boliviano e prometeu investir pesadamente no país vizinho. Assim, a desapropriação foi particularmente alarmante, afirma um avaliador de riscos internacionais que atua em São Paulo. "O fato não ajudou no que diz respeito às percepções. Se um investidor está sentado em Houston, Nova York ou Londres, e vê alguém ser chutado na América Latina, o fato implica na modificação da forma como tal investidor enxerga a situação."



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 13h30
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