Sobre o acessório: a liberalização do câmbio

Nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que o conjunto de medidas de liberalização cambial poderá sair até o final do mês.

 

Considerou também que as mudanças não são urgentes.

 

Na avaliação de Mantega, a atual instabilidade financeira internacional já vem depreciando o real. Muitos exportadores conseguiram fechar seus contratos de câmbio em situação menos incômoda. As pressões pelas medidas de liberalização cambial diminuíram.

 

Todavia, a liberalização cambial é uma questão acessória. A questão estruturante, o baixo crescimento da produtividade e da competitividade empresarial no Brasil,  não não é sequer tangenciada pela liberalização cambial.

 

Fluxos cambiais mais livres não resolve, per se, quatro questões fundamentais:

 

·         o baixo grau de abertura da economia brasileira;

·         a falta de produtividade e competitividade de muitas cadeias produtivas nacionais (o que está relacionado com a elevada carga tributária e com o alto nível de gastos correntes vigentes, sobretudo os previdenciários);

·         a frágil política industrial praticada pelo governo;

·         se as questões anteriores não forem resolvidas, a liberalização cambial pode, no médio e longo prazos, ressuscitar um fantasma ainda não exorcizado: nossa vulnerabilidade externa.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 09h24
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Sobre o estruturante: a necessidade de maior competitividade industrial

A seguir, analiso rapidamente,  pela ordem listada acima,  as quatro questões propostas:

 

Um processo de abertura planejada e negociada da economia brasileira poderia  ser posto em vigor. Há setores de nossa indústria que mereceriam a redução de custos provocada por uma diminuição das tarifas de importação. Tais setores são exatamente os que fragilizam nossas relações interindustriais e que acentuam nossa dependência de importações. Ainda não construímos vantagens competitivas em setores como tintas, componentes eletrônicos, insumos químicos, remédios etc. Ademais, maior abertura econômica pode gerar, pelos mecanismos de mercado, um retorno da taxa de cãmbio a um patamar menos apreciado.

 

Urge que as reformas tributária e previdenciária sejam ser aprovadas no próximo semestre do ano que vem. Tarefa imperiosa para o primeiro ano do mandato do  próximo presidente, seja ele qual for.

 

O debate sobre política industrial no país ainda é primário e insuficiente. Há poucos economistas no país que estão a par do que o BNDES faz para incentivar setores-chave da economia brasileira. Há poucos estudos sobre o assunto. Alguns anos atrás, ainda se discutia sobre a própria necessidade de ser haver política industrial. Lembro-me que Joseph Stiglitz se mostrou surpreso quando um jornalista lhe perguntou sobre a necessidade de política industrial no Brasil. Stiglitz obviamente considerou a questão além de desnecessária, despropositada.

 

Finalmente, somente após o enfrentamento das questões anteriores e depois de um substancial ganho de produtividade e competitividade empresarial, seria possível se pensar em liberalização cambial.

 

O risco é o país se expor desnecessariamente às instabilidades financeiras internacionais sem sequer possuir uma indústria plenamente competitiva.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 09h23
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Da discreta alegria

“Longe do mundo vão, goza o feliz minuto

Que arrebataste às horas distraídas

Maior prazer não é roubar um fruto

Mas sim ir saboreá-lo às escondidas”.

 

Mário Quintana, poeta brasileiro (30.07/1906 - 05/05/1994).

 

 

Mário Quintana



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h48
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O Copom não explicou

O Copom (Comitê de Política Monetária) deixou antever em sua ata, publicada nesta quinta-feira, que a taxa básica de juros Selic, deve cair a um ritmo menor no segundo semestre deste ano.

 

Este sinal do Copom responde à subida das taxas de juros na União Européia e nos Estados Unidos.

 

O nível de preços europeu e norte-americano vem se elevando, sobretudo devido ao aumento dos preços dos barris de petróleo. Estes aumentos afetam os núcleos da inflação da Europa e dos EUA, fazendo subir suas taxas de juros básicas. 

 

Ademais, a elevação dos juros europeus também se dá em resposta à elevação dos juros futuros norte-americanos, uma vez que o Fed já sinalizou que elevará a taxa de juros (tal como foi escrito em um post logo.baixo).

 

Portanto, os juros cairão menos rapidamente no Brasil devido ao aumento dos preços internacionais de petróleo.

 

Ocorre que os comerciais televisivos da Petrobrás proclamaram que o  Brasil é auto-suficiente em petróleo. Ou seja, em tese, o país depende pouco da dinâmica global de formação de preços do barril de petróleo, influenciada pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). 

 

Nesse sentido, uma vez que a inflação brasileira não está alta e que não há dependência do petróleo importado, pode-se afirmar que, das duas uma: i) ou  o Copom não explicou detalhadamente o motivo de reduzir o ritmo no corte dos juros por aviso prévio; ou ii) utilizou estes fatos para corroborar uma decisão que já vinha sendo ensaiada antes: a de reduzir o ritmo de queda da Selic.  



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 08h00
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Superstição

“Por mera precaução

ou velada crendice,

para evitar desgosto

resolve João Brandão:

- Chegando a um alto posto,

serei meu próprio vice.”

 

Carlos Drummond de Andrade

oeta brasileiro 

(31/10/1902 - 17/08/1987)

 

 

 

Drummond



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h25
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Brasil + EUA versus China?

Os EUA e o Brasil devem unir esforços no sentido de abrir novos mercados para seus produtos. Esta foi a afirmação do secretário norte-americano de Comércio, Carlos Gutiérrez, nesta segunda-feira.

 

A lógica de Gutiérrez é a de que, sendo os EUA o maior investidor estrangeiro no Brasil e também o seu maior parceiro comercial, não há porque os dois países deixarem de seu unir para conquistar mercados na China, na Índia e na Rússia.

 

Como fazer isto? Gutierréz acredita que com exportações diversificadas e com o combate à pirataria é possível uma maior inserção dos países americanos (do sul e do norte) no mercado global.

 

Caso contrário, a China terá condições de explorar o mercado internacional enfrentando pouca concorrência.

 

Gutiérrez veio ao Brasil para o lançamento do Diálogo Comercial EUA-Brasil, que ocorreu no Rio de Janeiro.

 

Após o fracasso das negociações envolvendo a Alca, os norte-americanos buscam fortalecer iniciativas que visem a futuros acordos bilaterais. Neste caso, tal como muitos outros casos, o que é bom para os EUA pode vir a ser bom para o Brasil.

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h59
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Crescimento na visão da CNI

Para a CNI, a redução do ritmo de crescimento da produção em abril não interferirá na retomada do crescimento deste ano.

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que os indicadores recentes revelam uma “continuidade da recuperação da atividade econômica”. Não é tão  preocupante, portanto, a retração de 1,35% nas vendas de abril na comparação com março.

 

Os fatores que impulsionam a indústria, de acordo com a CNI:

  • O aumento das horas trabalhadas, de 0,69% em relação a março
  • O número de empregados na indústria cresceu 0,55% com março e 0,89% em relação a abril de 2005.

Tais constatações minimizam os efeitos nocivos para a economa da queda das vendas de 1,35% em abril na comparação com março. A CNI afirmou que as vendas foram influenciadas pela apreciação da taxa cambial, reduzindo a geração de caixa das empresas exportadoras.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h55
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A palavra de Bernanke

Nesta segunda-feira, Ben Bernanke, presidente do Fed (banco central norte-americano), disse que o Fed fará tudo para que a atual tendência de alta  da inflação dos EUA seja revertida.

 

Bernanke fez um discurso na Associação Americana de Banqueiros, onde diagnosticou um “período de transição” para a economia norte-americana.  

Apontou a elevação das taxas inflacionárias como o maior risco para a economia dos EUA. Disse que o Fed será “vigilante para assegurar que a recente alta dos núcleos de inflação não seja uma tendência”. Falou também em uma possível redução do ritmo de crescimento.  

 

A preocupação do banqueiro-central norte-americano é que a alta dos preços das commodities e da energia seja repassada para o nível geral de preços. Nos últimos seis meses, os gastos com consumo aumentaram em 3%, nível tido como indesejável para o Fed.

 

Com a palavra de Bernanke, aumenta a incerteza nos mercados financeiros dos países emergentes.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 13h15
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Mais incerteza, menos renda variável

Com o aumento da inflação, há  expectativa de taxas de juros mais elevadas nos EUA. Com efeito, os capitais estrangeiros de curto prazo nos países emergentes são repatriados, o que gera um aumento de incerteza no curto prazo.

 

Um indicador desta incerteza foi dado pela reversão dos fluxos de capitais aplicados na Bovespa. Ocorreu em maio o maior saldo negativo de aplicações estrangeiras desde abril do ano passado. O montante de R$ 1,5 bilhão foi retirado de aplicações em renda variável para outras aplicações com menor risco em outros países (sobretudo títulos do tesouro norte-americano). 

 

O Índice Bovespa, dado este aumento da incerteza, caiu 9,5% em maio. No ano, a valorização do Ibovespa reduziu-se para  9,19%.

 

Outros índices de mercados acionários de países emergentes também sofreram quedas.   



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 13h12
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Tutty Vasques

Da coluna de Tutty Vasques no site No Mínimo:

 

" Fora-de-estrada

 

O leitor Jocélio Leal copiou na Internet placa de bar boliviano na fronteira com o Brasil:

 

 “Temos coca, mas sem gás!”.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 12h20
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Blog de roupa nova

Caro Leitor, o nome do Blog mudou de Quid Novi in Oeconomia? (O que há de novo em Economia) para Cenário Econômico.

O design do blog também mudou.

Só o escriba, que lástima..., não mudou.

Permanece com sua mania de teclar.

Sinceramente, espero que gostem da nova cara do blog.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h51
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Politics

Um aluno me perguntou como o brasileiro observa a nossa política. Expliquei-lhe o conceito de eleitor mediano. Disse-lhe o nosso eleitor mediano se comporta como num poema que não me lembrava, só sabia que era de Thomas Mann (1875-1955). Fiquei de divulgar o poema no blog.  Felizmente (viva o Google!) achei o poema e uma foto de Mann:

Politics

 

“In our time the destiny of man presents its meaning in political terms”  by  Thomas Mann

How can I, that girl standing there

My attention fix

On Roman or on Russian

Or on Spanish politics?

Yet here`s a traveled man that knows

What he talks about,

 

And there´s a politician

 

That has read and thought,

 

And maybe what they say is true

 

Of war and war`s alarms,

 

But oh that I were young again

 

And held her in my arms!

 

 

 

Thomas Mann



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h10
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