Possíveis causas do stop-and-go
Da redação de São Paulo do UOL: “O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de tudo o que é produzido no país) cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre, quando houve expansão de 1,3%. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o avanço foi de 1,2%. É o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve recuo de 1,2%. A indústria teve o resultado mais negativo, e caiu 0,3%. As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.”
A expectativa do mercado era de um crescimento de 0,8% em relação ao primeiro trimestre de 2006 e de 2,1% em relação ao igual período do ano passado.
O PIB agropecuário cresceu 0,8%. O PIB industrial reduziu-se 0,3% e o de serviços subiu 0,6%.
O investimento em capital fixo apresentou queda de 2,2% em relação ao trimestre anterior. O consumo das famílias aumentou 1,2% e o consumo do governo subiu 0,8%.
Houve queda nas exportações e nas importações. A queda nas exportações foi de 5,1% entre abril e junho, após 12 trimestres seguidos em alta, foi a maior desde o primeiro trimestre de 2003, quando caíram 8,2%. A queda nas importações foi de 0,1%, sendo que no primeiro trimestre elas tinham subido 10,4% nas importações em relação ao último trimestre de 2005.
Três possíveis explicações para o desempenho medíocre do PIB:i) apreciação cambial; ii) aumento dos gastos correntes; e iii) falta de investimento público.
Tais explicações mereceriam um debate mais aprofundado por parte da mídia econômica e da academia.
A razão é simples: os PIBs agropecuários e de serviços não registraram queda, mas somente o PIB industrial. É sabido que, em geral, os produtos exportáveis agropecuários são mais resistentes à apreciação cambial do que os produtos exportáveis industriais. Os serviços não são exportáveis.
Embora a trajetória de queda da Selic tenha impulsionado os investimentos e o consumo nos últimos trimestres. Do lado fiscal, os gastos públicos e a carga tributária aumentaram, mas os investimentos públicos não. Isto afeta todos os setores produtivos do país, ainda que em diferentes graus, dependendo da carga tributária de cada setor e da dependência de cada um dos gastos públicos.Gastos e tributos maiores comprimem a demanda agregada, anulando, no limite, os efeitos benéficos das expectativas associadas à trajetória de queda da Selic.
No lado monetário, o spread bancário praticamente não se reduziu diante das sucessivas quedas da taxa Selic. Assim, o custo de capital para o setor produtivo do país ainda continua muito elevado.
Não se pode esperar que um ambiente econômico saia do stop-and-go que se verifica desde o início do Plano Real, se há uma convivência desarmoniosa de carga tributária e gastos públicos em elevação, juros bancários estratosféricos e câmbio apreciado.
Por fim, a meta do governo de um crescimento de 4% para este ano ficou bem mais difícil de ser alcançada.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 09h58
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