Sobre os políticos, a esperteza, o jeitinho brasileiro e a malandragem, há uma frase definitiva de Jorge Ben Jor:
“Se todo malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem..."
Autor: Jorge Ben Jor, cantor e compositor brasileiro (n.1942)
Buscar na Web "Jorge Ben Jor"

Jorge Ben Jor
Categoria: Citação
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h42
[]
[envie esta mensagem]
|
Mira certeira
A volatilidade dos indicadores do mercado de commodities provocaram a falência de um dos maiores “hedge funds” do planeta.
Este foi o fator que desestabilizou hoje a bolsa, o câmbio e os juros futuros.
Nenhuma relação com a crise política.
Como postei anteontem: o mercado já precificou: i) a vitória de Lula; ii) um improvável segundo turno; e iii) o agravamento da crise política.
As expectativas em relação à política econômica do futuro governo (Alckmin ou Lula) já foram devidamente descontadas pelo mercado, que olha mais a economia internacional do que as disputas políticas internas.
Apesar da falta de crescimento e do baixo volume de crédito, possuímos um sistema financeiro de primeiro mundo e que mira o mundo que realmente importa.
Que felizmente não é o mundo da política tupiniquim.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h03
[]
[envie esta mensagem]
|
Oba, precificamos a política!
Mesmo com o acirramento da de crise política, o mercado financeiro apresenta indicadores com baixa volatilidade.
O mercado precificou os três cenários possíveis para depois de 1º de outubro: i) a eleição provável de Lula; ii) a piora da crise política; e iii) o segundo turno entre Lula e Alckmin.
No fundo, todos sabemos que, com Lula ou Alckmin, muito pouca coisa muda na política econômica.
Assim sendo, a taxa de câmbio nominal oscila em torno do valor mediano de R$ 2,18.
Os juros futuros estão estáveis. A Bovespa e risco soberano não apresentam nenhum sobressalto.
A previsão de um corte de 0,5 ponto na próxima reunião do Copom se mantém, a despeito do que o Fed irá fazer com a taxa de juros norte-americana amanhã. O IPCA estimado para 2006 caiu para 3,2% e o PIB estimado, até segunda ordem, é de algo próximo de 3%.
É muito bom saber que, à parte os juros escorchantes e o crescimento pífio, temos um sistema financeiro desenvolvido e maduro.
Isto é uma enorme vantagem quando verificamos o grau de imaturidade política que ainda reina no Brasil.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h05
[]
[envie esta mensagem]
|
Agronegócio familiar
O agronegócio familiar já é responsável por 10% do PIB nacional.
Todavia, quando se fala em agronegócio familiar, ainda há quem pense em agricultura de subsistência, sem estrutura capitalista de produção, sem nenhuma necessidade de inovação tecnológica.
Impressiona isto não ser notícia em uma potência agrícola como o Brasil.
No interior dos estados do centro-sul do país ou mesmo no semi-árido nordestino, multiplicam-se exemplos de estruturas coletivas de produção rural, organizadas como cooperativas agropecuárias.
Tais organizações fazem com que o agronegócio familiar seja reconhecido como importante motor para o crescimento econômico, inclusão social, redução das disparidades regionais, aumento do bem-estar e integração e fortalecimento da sociedade rural.
Praticamente não existe nenhum projeto agropecuário que não objetive lucro, o que desmonta outro mito associado ao agronegócio familiar: o de que ele possui baixo grau de profissionalismo e ineficiência no cultivo. As cooperativas brasileiras, em termos internacionais, são, no mínimo, tão eficientes quanto qualquer empresa agropecuária privada do planeta. Muitas vezes são mais eficientes.
Há cerca de quatro milhões de famílias que tiram sua renda e produzem mais de metade dos alimentos de consumo essencial do país (milho, feijão, leite, tomate, batata, frango etc). O agronegócio familiar também possui importante participação na pauta exportadora do país, com produtos como café, castanha de caju, carne bovina e suína e fumo.
Segundo estudo da Fipe/USP, com dados de 2003, dos R$ 500 bilhões gerados pelo agronegócio, cerca de R$ 160 bilhões são provenientes do agronegócio familiar. O impacto social das pequenas empresas do agronegócio familiar são comprovadamente a melhor política de redução do êxodo rural, gerando emprego para mais de 20 milhões de pessoas e acarretando efeitos positivos sobre a infra-estrutura escolar e de saúde das pequenas e médias cidades do país. Muitas escolas e postos de saúde foram criados para atender à demanda da população empregada pelo agronegócio familiar.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h53
[]
[envie esta mensagem]
|
Bancos de desenvolvimento, agronegócio familiar e os APLs
Bancos de desenvolvimento como o BNDES e o BRDE (Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul, que atende aos estados do sul do país) apóiam a formação de arranjos produtivos locais (APLs) que buscam integrar as prefeituras, cooperativas, organizações não-governamentais, pequenos produtores rurais e empresas privadas.
Estes APLs são constituídos respeitando quatro fatores basilares para o desenvolvimento do agronegócio familiar:
i) a observância da vocação produtiva da família, da qual depende sua capacidade empreendedora;
ii) o aproveitamento das vantagens comparativas regionais;
iii) a análise do potencial do mercado regional, da qual depende a taxa de retorno futura do investimento;
iv) o apoio creditício fornecido pelas cooperativas e instituições financeiras.
O leitor pode observar que o primeiro fator está totalmente sob a esfera de influência do pequeno produtor rural.
O segundo é parcialmente influenciado por ele.
Os dois últimos não sofrem sua influência, sendo determinados exogenamente e condicionados por fatores macroeconômicos (taxa de câmbio real, juros reais e carga tributária) e mesoeconômicos (dinâmica competitiva do segmento agropecuário no qual o pequeno produtor rural está inserido).
Neste sentido, as cooperativas agropecuárias e o apoio das instituições financeiras de fomento e privadas são essenciais para o crescimento do agronegócio familiar, na medida que fortalecem as iniciativas do pequeno produtor rural e ampliam as possibilidades de sucesso dos seus empreendimentos.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h52
[]
[envie esta mensagem]
|
"Escuta: se o homem conta com dois dias, ou talvez com mais de dois, faz coisas vãs. Não existe o amanhã se antes não descontarmos inteiramente o hoje."
Autor: Sófocles, filósofo grego
Buscar na Web "Sófocles, filósofo grego"
Categoria: Citação
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h13
[]
[envie esta mensagem]
|
Etapas do desenvolvimento: a fase inicial
A história do desenvolvimento econômico das nações pode ser sintetizada, de modo um tanto arbitrário, em três fases.
Tal classificação simplista tem o intuito de facilitar a exposição.
Na primeira fase do seu processo de acumulação, que podemos chamar de pré-capitalista ou proto-capitalista, dependendo do caso, os agentes econômicos procuram conhecer de perto as vantagens competitivas da economia. Procuram explorar suas potencialidades naturais e investir na formação de uma elite intelectual e uma burguesia agrária e comercial.
Nesta fase, em geral, as evidências empíricas demonstram que a acumulação de riquezas geralmente tem prioridade em relação à distribuição das mesmas.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h21
[]
[envie esta mensagem]
|
A fase intermediária
Na fase intermediária, em que há já ocorreu a formação de uma base agrícola e comercial no país, pode-se verificar a existência das seguintes caraterísticas:
-
setor industrial que explora as vantagens competitivas do país,
-
setor financeiro capaz de intermediar recursos para o financiamento do investimento produtivo;
-
ampliação do mercado consumidor;
-
extensão dos benefícios cruciais da educação à uma parcela mais ampla da povo,
-
redução do grau de analfabetismo;
-
ampliação da rede de ensino médio e superior.
-
governo desempenha papel ativo e influencia a demanda agregada por intermédio dos investimentos públicos.
-
Oportunidades para estender os benefícios sociais como previdência e assistência social, segurança, saúde etc.
-
Possiblidade de realização da reforma agrária, que contribui para a redução das disparidades de renda.
-
Dificuldade de se obter crescimento conciliado com repartição justa de renda. Em geral, ocorre justamente o contrário: aumento da concentração de renda e, não raro, aumento das disparidades regionais e piora de alguns indicadores sociais, com destaque para a violência urbana e degradação do meio-ambiente. Exatamente por este motivo, é crucial o aperfeiçoamento do sistema educacional e de um Poder Judiciário eficaz.
No caso da maioria dos países desenvolvidos, o processo de amadurecimento institucional tem início nesta fase, com avanços e retrocessos que ocorrem motivados por fatores políticos, sociais ou econômicos.
A atuação governamental continua sendo importante na condução de políticas econômicas conjunturais (monetária, fiscal e cambial) que propiciem um ambiente econômico adequado para a iniciativa privada e de políticas econômicas estruturais (industrial, comercial, tecnológica e social), que garantam a sustentabilidade do crescimento econômico no médio e longo prazos.
É possível conciliar crescimento e repartição de renda nesta fase, como demonstram as trajetórias de desenvolvimento da Coréia do Sul, Japão, Alemanha, Dinamarca, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Infelizmente, temos Brasil, México, Argentina, África do Sul e Estados Unidos como exemplos de países em que, nesta etapa intermediária, o crescimento da renda ocorreu de forma concentrada.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h19
[]
[envie esta mensagem]
|
A terceira fase
Enfim, na terceira de consolidação do processo de acumulação capitalista, ocorre a possibilidade de o país atingir os seguintes objetivos:
-
aprofundar suas relações intra e interindustriais;
-
melhorar a qualidade educacional e eliminar o analfabetismo;
-
construir um sistema de inovação que lhe permita uma inserção competitiva no capitalismo global;
-
planejar melhor o seu processo de desenvolvimento econômico;
-
promover maior grau de abertura econômica e melhorar a qualidade dos serviços públicos.
Nesta última fase pode ocorrer uma entre duas situações que dizem respeito ao processo de amadurecimento das instituições:
i) ou ocorre uma segunda oportunidade de aperfeiçoamento institucional, ou
ii) no caso de já ter ocorrido, na segunda fase, a consolidação institucional, o governo deve continuar atuando por meio das políticas industrial, comercial e tecnológica.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h15
[]
[envie esta mensagem]
|
Fatores primordiais
A despeito da intensa discussão sobre os fatores primordiais para a promoção do desenvolvimento, parece claro que há alguns consagrados pela literatura econômica:
- o aproveitamento das vantagens comparativas e a criação de novas vantagens competitivas;
- a diversificação da base produtiva. Como o processo de crescimento é por natureza desequilibrado, recomenda-se que o governo apóie iniciativas que visem a uma maior diversificação agrícola, industrial e das fontes de financiamento para o desenvolvimento. Qualquer tipo de concentração de investimentos em poucos setores econômicos poderá ser fonte de risco, em face da incerteza sistêmica e típica das economias monetárias.
- a harmonia entre as políticas macroeconômicas de curto prazo é vital. As políticas cambial, monetária, creditícia e fiscal não devem apresentar inconsistências intertemporais. Devem estar articuladas de forma que as taxas de crescimento econômico sejam sustentáveis no longo prazo. Neste sentido, qualquer incongruência entre as políticas conjunturais e estruturais é indesejável e potencialmente perigosa.
- Investimentos em educação, treinamento, pesquisa e desenvolvimento são condição sine qua non para o bem-estar econômico.
- É fundamental a criação de um ambiente favorável para o investimento produtivo. Sem investimento não há crescimento da renda, nem geração de emprego. Sem renda e emprego não há formação de poupança. Sem poupança não há investimento.
- Deve-se importar mais para exportar mais. Exportar demais só faz valorizar a taxa de câmbio real, o que reduz a geração de emprego e aumenta a exposição às crises financeiras internacionais. A visão mercantilista é intrinsecamente burra, pois ignora o potencial do comércio internacional como motor para o crescimento.
- Os fatores microeconômicos importam muito. Burocracia, informalidade, ineficiência jurídica, desrespeito aos contratos e má qualidade dos gastos públicos.Convém ressaltar que o volume de gastos é um problema, mas a qualidade dos mesmos é um problema ainda maior.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h14
[]
[envie esta mensagem]
|
A situação brasileira
Finalmente, o Brasil apresenta características que o enquadram na terceira fase.
Fatores como a disponibilidade de recursos naturais, diversidade industrial, competitividade e escala da indústria e do agronegócio, liberdade política e garantia dos direitos de propriedade nos colocam à frente de países como Rússia, China, Índia e África do Sul.
Todavia, nosso amadurecimento institucional ainda é lento, sobretudo devido à velhas práticas associadas ao clientelismo, à corrupção, à ineficiência dos gastos públicos e à falta de condições satisfatórias para a execução das decisões jurídicas.
Seja por motivos sociológicos ou jurídicos, há no país uma assustadora permissividade com práticas que inviabilizam o amadurecimento mais rápido de nossas instituições. É intolerável o excesso de tolerância com tais práticas.
É socialmente insustentável a convivência com o ambiente de impunidade que reina no país.
É falaciosa qualquer análise que jogue a culpa no governo de Lula ou no governo de FHC sobre a atual situação do país.
Nossa crise ética precede às gestões dos dois últimos presidentes.
É imoral achar que a elite do país não presta e o nosso povo é virtuoso. Tão imoral quanto achar o inverso.
Somos todos culpados pela atual situação do país.
Do mesmo modo, somos todos responsáveis pelo futuro que queremos deixar para os nossos filhos.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h10
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|



|
Meu perfil
BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, Portuguese, English, Male
|
|